MyPad é o tablet mediano de 10,1″

Aparelho da Toshiba tem configuração equilibrada mas poderia oferecer mais memória

Ele tem processor de dois núcleos, câmera de 5 MP, saída microHDMI e conexão 3G. Mas o único diferencial positivos do myPad é a recepção de rádio FM com a ajuda de uma antena retrátil. A tela de 10,1 polegadas é bem espaçosa para navegar na web e exibi vídeos, só que a reprodução de clipes em alta definição no player do Android deixou a desejar. A memória interna é de apenas 8 GB, mas o modelo vem com um cartão de 16 GB.

Dentro do MyPad, cujo nome dispensa comentários, encontramos o system-on-a-chip Tegra 2 da Nvidia. Há dois anos, a mera presença desse nome na lista de especificações precipitaria uma tempestade de saliva na boca de qualquer fanático por tecnologia: pela primeira vez aparelhos móveis podiam tirar proveito de dois núcleos de processamento. Mas o mercado avançou e um tablet Android com Tegra 2 já não é nada especial. No caso do MyPad, o clock da unidade Tegra também não é particularmente alto: os dois núcleos Cortex A9 rodam a 1 GHz. Não, esse tablet não contempla a concorrência de olhos baixos, mas tampouco fica atrás dela na corrida por desempenho. O Android roda bem no MyPad e não passamos por nenhum teste de paciência ao rodar aplicativos. Como veremos adiante no comentário sobre a reprodução de vídeo, a principal limitação desse SoC específico é sua incapacidade de lidar com vídeos em 1080p a frame rates razoáveis.

Como a maioria dos tablets Android atualmente, o MyPad empacota 1 GB de RAM, ou seja, nada mais que o necessário. Enquanto determinar quanta RAM um dado sistema precisa não envolve grande mistério, a questão do armazenamento interno é mais complexa. O MyPad que avaliamos (TA 1013G) oferece 8 GB de armazenamento interno e um slot de cartão de memória que só aceita cartões de até 16 GB. O tamanho do problema de armazenamento em qualquer eletrônico está sempre subordinado ao tamanho da necessidade de seu usuário.

Para quem prefere acessar seus arquivos remotamente, através do NAS ou de um serviço como o DropBox, 24 GB é mais que o suficiente. De qualquer forma, um tablet de 1.700 reais poderia oferecer bem mais NAND. A Toshiba cometeu um erro de estratégia ao não incluir um microSD. Caso contrário, o MyPad poderia até ser comparável aos tablets de 32 GB, com a vantagem da mobilidade proporcionada pelo cartão. Perdida essa oportunidade, temos um tablet de 10,1” que mal pode guardar alguns filmes em HD.

A seara das conexões é um pouco mais fértil que a da memória. Wi-Fi, Bluetooth (2.1 com EDR), 3G, A-GPS e rádio FM viabilizam as conexões sem fio do aparelho. As portas externas são compostas por microUSB, P2 e microHDMI (só exporta sinal de vídeo em 720p). Nossa única reclamação a respeito das conexões é incitada pelo uso de uma entrada dedicada de corrente elétrica para carregar o aparelho. Enquanto boa parte da indústria já usa alguma variação da USB, a Toshiba insiste em incluir mais um cabo para ser esquecido nos hotéis, escritórios e outros lugares pelos quais o MyPad pode passar.

O Android utilizado pelo MyPad é o Honeycomb (versão 3.2), banhado na glória da alta resolução e da interface projetada para tablets. Quem gosta do Android nu e cru não deve se sentir em terras estrangeiras. Entre as diferenças, podemos contar o teclado grande e espaçado. Por um lado, essa peculiaridade é interessante porque ajuda a evitar erros durante a digitação. Por outro, alcançar as teclas do meio da tela é um exercício de flexibilidade dos dedos, mesmo quando o tablet está em orientação de retrato.

Além do Google Play, a Toshiba implementou uma loja de aplicativos própria. A prática de instalar “lojas” que servem como filtros de aplicativos está se tornando cada vez mais popular entre os fabricantes de eletrônicos. Em geral, aplaudimos tais iniciativas por serem úteis tanto para as empresas quanto os consumidores. No entanto, o caso da Toshiba é diferente porque se trata de uma loja em stricto senso, com aplicativos próprios. Não há nada de errado com isso a princípio. De fato, a loja da Toshiba não é um problema e sim uma redundância: nenhum programa que ela contém oferece alguma função que já não seja cumprida por outro aplicativo do Google Play. Como os programas pré-instalados que costumam infestar os notebooks, a loja da Toshiba não faz muito mais do que ocupar espaço. Mas não sejamos muito severos porque sempre há a possibilidade de que ela melhore no futuro, talvez o suficiente para se tornar um diferencial positivo.

O restante dos aplicativos contribui pouco para qualquer avaliação que se faça do MyPad. O Documents To Go está presente, mas apenas na versão mais simples, que exibe os documentos do Office sem a possibilidade de edição. Similar ao STi Store que comentamos acima, o Tegra Zone não exatamente algo útil, apesar de todo o peso do nome da Nvidia. Por fim, precisamos elogiar a Toshiba por incluir a versão mobile do antivírus Kaspersky. Trata-se apenas de uma versão de demonstração que dura por 30 dias, mas é raro encontrar uma fabricante de tablets que leve a questão da segurança a sério.

O último parágrafo foi desanimador, mas há algumas facetas do software do MyPad que são atraentes, embora elas também tenham suas desvantagens. Um ponto atraente desse tablet é a capacidade de reproduzir MKV (em 720p), um formato que costuma ser ignorado pelos fabricantes a despeito de sua popularidade na internet. A tragédia é que, apesar das expectativas que o suporte a MKV gerou, só conseguimos reproduzir vídeos em um outro formato: MP4, também em 720p. Além disso, é melhor que quem comprar o MyPad seja fluente na língua dos filmes a que pretende assistir no tablet, pois ele é incapaz de exibir legendas. Para intensificar a decepção, o MyPad também é apenas bilíngue no campo do áudio: WAV e MP3 são tudo o que ele consegue reproduzir.

Sim, o 1.080p está além das forças do SoC do MyPad, mas isso só se torna um problema quando ligamos o tablet a uma TV Full HD, na qual a imagem espelhada não cobre toda a tela. No tablet em si, vídeos em 720p ficam bem porque a resolução do display (1.280 x 800) mal excede o HD. Não nada de muito certo ou errado a respeito da tela. Uma peculiaridade relevante são a cores ligeiramente mais frias que a média. Para a leitura e a exibição de sites, isto é vantajoso. Os fãs de vídeo mais exigentes talvez prefiram tablets com cores mais vivas, no entanto.

Cheio de som e fúria, o sistema de áudio alcance um volume bem alto para um tablet ao mesmo tempo em que distorce violentamente os tons. Ainda assim, é preciso reconhecer que a distorção só se torna insuportável no volume máximo, ao que se propõe um dilema para o usuário: ele prefere um som alto, mas de baixa qualidade, ou um som mediano de volume igualmente médio?

O som alto talvez seja em parte consequência do tamanho exagerado do MyPad. Todo tablet de 10,1” é grande, mas as bordas espessas desse Toshiba o tornam ainda maior e mais difícil de ser manuseado. O peso do aparelho (775 g) também não ajuda na sua avaliação. Embora pareça pouco, os 200 g que separam o MyPad do iPad 2 são muito perceptíveis na palma da mão. Para piorar o quadro geral, o plástico preto que domina o desenho desse tablet está longe de ser atraente. Como pincelada final, a Toshiba acrescentou uma antena retrátil para ajudar a recepção da rádio FM. O sinal fica mais forte, é claro, mas quando se considera a quantidade de rádios que existem na internet, é difícil justificar uma decisão de design tão estranha para um tablet.

Via Info

Deixe sua dúvida ou comentário

Isso pode te interessar